Nunca fez tanto sentido estar prevenido e ter sempre um plano B para qualquer eventualidade. Assim, ter um fundo de emergência proporciona um maior conforto nos momentos difíceis, coisa que pode realmente acontecer a qualquer pessoa.

No período de incerteza económica e financeira que vivemos, devido à pandemia por COVID-19, muitas famílias perderam rendimentos ou até mesmo o emprego. Ter uma poupança, o comum “pé-de-meia”, pode fazer a diferença em entrar ou não em desequilíbrio financeiro.

Uma avaria no carro, ter de comprar um eletrodoméstico novo, desemprego ou doença: são estes alguns dos principais motivos que podem afetar a nossa vida e nos obrigar a recorrer às poupanças que fomos constituindo ao longo dos anos.

Como criar um fundo de emergência: guia passo a passo

Para ter uma maior segurança financeira, todos devemos ter algum dinheiro de lado, para fazer face às várias intempéries da vida. Mas quanto? E como? Atente às respostas.

1. Compreenda bem o orçamento mensal

Se ainda não tem um orçamento familiar, então, é precisamente por aí que deve começar. Idealmente, crie um ficheiro onde aponta todas as receitas e todas as despesas descritas. Assim terá uma ideia se tem alguma fonte de desperdício ou se está a gastar mais em determinada área.

No caso dos seguros ou outros pagamentos anuais, deve, também, inseri-los no orçamento mensal. Para tal, divida o valor total a pagar por doze, de modo a conseguir obter o correspondente mensal.

2. Distinga o essencial do acessório

O documento que criou irá permitir-lhe perceber claramente o que é essencial para a sua vida e o que não é. Ou seja, ao olhar para todas as suas despesas perceberá onde está a gastar demasiado dinheiro. Consequentemente, isso permite-lhe cortar até alguns gastos ou aproveitar, por exemplo, para renegociar contratos de telecomunicações, eletricidade ou gás ou, até mesmo, mudar de operador.

3. Defina o valor do fundo de emergência

Ainda que não exista uma fórmula mágica, a maior parte dos especialistas financeiros recomendam que o valor do fundo de emergência corresponda a seis vezes ao valor das suas despesas essenciais.

Por exemplo: se o total das suas despesas é 700 euros, então, idealmente, deve ter um de emergência de 4.200 euros (700 * 6).

Esta é a regra básica. Naturalmente, este valor irá depender de vários fatores, nomeadamente, se está a pagar crédito à habitação, se tem filhos, se é casado ou divide despesas com alguém, ou até do vínculo laboral. Neste campo, aconselha-se que trabalhadores por conta própria tenham um fundo de emergência maior, que corresponda a um ano de despesas.

4. Decida onde aplicar ou colocar o fundo de emergência

Tal como o próprio nome indica, um fundo de emergência é para uma emergência e não para ser usado a seu bel-prazer. Nesse sentido, esse dinheiro deve estar guardado num local seguro, em que o capital seja garantido, e de fácil liquidez, para que aceder-lhe e movimentar-lhe quando necessário.

Portanto, onde e como aplica o fundo de emergência deve ter em conta três premissas importantes: segurança, rentabilidade e liquidez. Conheça as duas soluções mais comuns.

Depósito a prazo

Existem várias opções de conta poupança, sem custos de manutenção, que permitem ter o dinheiro guardado, a render (ainda que atualmente não existam taxas de juro significativas) e que lhe permitem aceder ao dinheiro sempre que necessitar.

Assim, saiba que os depósitos a prazo são a aplicação financeira mais conhecida e utilizada em Portugal e também uma forma segura de manter o dinheiro do seu fundo de emergência, visto que o mesmo se encontra protegido pelo Fundo de Garantia da União Europeia. Isto significa que se garante ao depositário todo o montante aplicado até um valor máximo de 100.000 euros.

Certificados

Os Certificados de Aforro e do Tesouro são produtos de dívida pública, que podem ajudar quem procura investir algum dinheiro sem o risco de perder o capital. São formas de financiamento do Estado: os portugueses, a título particular, aplicam as poupanças nesses produtos, como se fizessem um empréstimo ao Estado, sendo recompensados mediante determinada taxa de juro.

Para quem não quer correr riscos, estes dois produtos são uma boa hipótese. Todavia, em termos de desvantagens, estes produtos exigem um valor mínimo de subscrição e podem obrigar ao cumprimento do prazo total do produto.

Por isso, antes de subscrever a um produto, atente às características e faça as contas. Ainda tem dúvidas sobre o que fazer? Então, entre em contacto connosco.